O Herói de RPG

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O Herói de RPG

Mensagem por clockmaster em Qui Jul 30, 2009 12:08 am

Herói - Uma Introdução


” Heróis são obsessivos maníacos-depressivos que buscam nos outros um sentido na vida? Yeah, i guess. Eles devem ser viciados em algum tipo de droga, como crack ou cocaína – ou simplesmente bondade. Ou então tudo não passa de uma conspiração – só assim pra explicar os quests em cima de quests. Concluiu um, se abrem três, e quando você pensa que terminou tudo, ta-dã – side-quests. Ei, bondade opcional? ISSO É ALGO A SE DISCUTIR. Se os heróis – que assim se intitulam de forma um pouco pretensiosa – deveriam varrer cada pixel da tela em busca de forças malignas. E o que dizer dos monstros de encontros aleatórios? Seus homicídios devem estar para as catástrofes dos vilões assim como as guerrilhas urbanas do Brasil e Colômbia ou a disputa da Palestina estão para bombas nucleares. (...)”



Hoje estou aqui, sentado em frente a este PC enferrujado, do qual até o monitor e o modem são emprestados, para falar sobre um cara notável: o herói. Não obstante, o farei de forma bem escrachada. Vou tentar falar, com base no Spider, pensador e teórico do ramo das ciências rpgísticas, sobre o herói típico e, se você sentir que já viu algumas coisas que vou falar, será mera coincidência, ok? Também tentei criar uma historinha enquanto vou mostrando o que considero coisas irritantes em tais heróis, principalmente o caso dos estereótipos.

Para começar (e para terminar), gostaria de frisar o herói base dos RPGs. Claro, geralmente VOCÊ é o herói e, óbvio, o personagem principal. Quase sempre este personagem tem entre 15 e 20 anos e usa espadas como arma, mas pode manejar muito bem de Rods e staffs até katanas e canivetes O pai deste suposto personagem morreu em uma aventura, e seu sonho é viajar pelo mundo e saber o que aconteceu com seu papi. Eventualmente ele pode ter sido morto pelo vilão, mas isso é um detalhe que não vai influenciar muito no nosso personagem, pois ele é do tipo que chora por alguém que morreu recentemente na introdução do game e não menciona mais a perda do ente querido durante as todas as longas 69 ou 96 horas de jogo, mas estes são apenas pormenores...

É então que, ao fazer 15 ou 16 anos, nossas estrelas começam a sofrer do que chamo de “Princípio da Prestatividade”. Funciona mais ou menos assim: seu personagem está de boa, descansando na rede, na sombra e água fresca e, de repente, surge um reino para salvar. Ele então faz o seguinte: dá um tchau para a mãe (ainda viva, claro, pois se estivesse morta não teria como... mas isso é relativo, depende do RPG!), que o acordou no começo do game, não fala com mais ninguém na vila, visto que é meio esquisito dar um adeus para as pessoas com quem você vive desde que nasceu, e sai se aventurando pelo mundo, mas não sem antes ter um treinamento com o mais velho da vila e demonstrar ser burro o suficiente para não perceber que a menina da lojinha se amarra nos seus cabelos vermelhos.



Depois disso então, parecendo sofrer de uma moléstia estranha do tipo viciante, seu herói começa a percorrer o mundo no intento de salvar pessoas desconhecidas, entrando em cavernas fantasmas, enfrentando zumbis e até vilas do além (os heróis têm hobbys estranhos) sem cobrar um tostão, pois eventualmente te darão um item que servirá para seu herói alimentar sua sede por justiça, dando-o a possibilidade de entrar em mais uma dungeon e salvar mais um reino e recomeçando a brincadeira de enfrentar seres horripilantes, de dragões e grifos a minotauros, ao invés de ficar em casa e tentar dar uns pegas na vizinha. Mas tudo bem, nós devemos respeitar os gostos e sacrifícios do herói, que, afinal, tem de cumprir o celibato heroístico (o Spider disse que em Xenogears rolou uns amassos mais fortes, mas eu desacreditei... na boa, não faz sentido um herói dando uma).

Muito antes de salvar vários reinos e vilas, como já adiantei pra você que joga RPGs, seu herói, depois do treinamento, começa a ir de vila em vila e rapidamente se mostra pouco humano, ou humano demais, seguindo o estereótipo da boa conduta e do filantropo. Você se pergunta então “onde diabos está aquele cara do Ultima antiguinho do PC? Velho, feio, experiente e esquisito?”. Esqueça. Seu herói é jovem e inexperiente, mas não há com o que se preocupar: o que não falta nele é vontade. Afinal de contas, tem que ter vontade mesmo, pois a partir do momento que ele é o personagem principal de um RPG ele está sujeito a algumas coisitas básicas: não ser o personagem mais carismático, não ter carro, não ter dinheiro, não ter estudos, ser mais chato que o próprio vilão do game, não pegar nenhuma menina, mesmo que não tenha feito celibato heroístico, ter a possibilidade de ser mudo e ficar fazendo gestos o jogo inteiro, ter um rabo esquisito, se transformar em um dragão periodicamente (só por esporte), não ter personalidade alguma (Butz?) ou simplesmente ser um tapado (se bem que o tipo tapado se dá bem com japinhas de roupa azul, mas ela terá de estar muito afim para fazê-lo desistir da vida de solteiro).



Algo trágico então acontece logo que seu herói sai da vila (ainda antes de começar a salvar os outros reinos): todos são mortos. A vila é incendiada, destruída, a água é envenenada, as casas obliteradas ou alguma outra coisa desastrosa terminada com “da”. Até meteoro pode cair, mas sua vila TEM que ser destruída para que seu herói, mesmo sem falar sobre isso durante a trama inteira (heróis não choram, não se esqueça), tenha um motivo para dar uma de cavaleiro nobre da idade média e ir à cruzada dar uma saqueada no pessoal, afinal, nem o herói é de ferro, senão não abusaria dos Phoenix Down. O herói então, logo depois da destruição de seu lar, descobre quem é o malfeitor: um cara malvado, muito malvado que, além de ter matado o seu pai, ter levado seu pai pro lado dele, ter hipnotizado seu pai, envenenado seu pai ou simplesmente SER o seu pai, é, ao contrário de você, cheio da grana e tem um exército de monstros por todo o globo que vai persegui-lo até os confins dos infernos, pois o herói é o único que pode acabar com seus planos de dominar o mundo e, se sobrar tempo, o sistema solar e depois o universo.

Aí então que entra de novo o conceito RPGístico da prestatividade intrínseca, contínua e descontrolada, também chamada de síndrome da prestatividade: seu herói encontrará em suas viagens, cansado de enfrentar tantos monstros sozinho, talvez já na terceira ou quarta cidade ou vila, companheiros heróis que, como ele, seguem a boa conduta e, se não o fazem, vão se tornar bons cidadãos até o fim da história. Esta turma geralmente será composta no mínimo assim, já que o herói é o personagem mais equilibrado do nosso suposto RPG: um cara fortão e bom em ataques físicos e uma menina, gracinha, healer e apaixonada pelo herói e que, assim como a menina da lojinha, não conseguirá nada do nosso herói, que está muito preocupado em salvar o universo. Ah, talvez haja um traidor do grupo, mas neste caso terá de haver mais um personagem para completar três e possivelmente o outro homem será chato que dói e talvez metido, mas essas são coisas com que o herói tem de aprender a lidar.



Outra coisa: estes companheiros, como seu herói, são totalmente destemidos. Até o Demolidor ficaria constrangido com os heróis dos RPGs: eles simplesmente são o má-xi-mo, mais até que o Superman! Dominam uma cacetada de armas, invocações, magia branca e negra e, com espadas, panelas ou facas de cozinha saem do aconchego do lar, pois ninguém mais aceita o serviço, sem apoio financeiro, sem porra nenhuma, e vão enfrentar a escuridão. É de dar medo.

Depois de reunida essa galera, o enredo está quase pronto. Ele vai se desenrolar muito devagar e talvez seu herói passe mais tempo ganhando experiência (às vezes você chega aos 16 anos com experiência zero...) do que discutindo sobre sua situação com os colegas. Viajará, descobrirá que terá de fazer alguma coisa (pescar, juntar jóias, cristais, bananas, estrelas, moedas, estátuas, elementos, chaves, 100 pessoas ou construir uma cidade) para que possa enfrentar um mestre a mais, já que o herói não resiste a uma briga, se juntará a seres estranhos e de mitologias que você só ouviu falar de relance, roubará as casinhas de todo mundo para pagar sua campanha e ainda por cima furtará tudo que os monstros carregarem consigo. Tentará então descobrir para que os monstros andam com tanta grana e seu herói vai procurar tanto descobrir este enigma que vai se esquecer do plot central e, quando perceber que não consegue encontrar nenhum monstro nas lojinhas do game comprando um Elixir ou um Tear Drop, será revelado que o verdadeiro vilão não é aquele que você pensava que era, mas um outro que você nem sabia que existia, que será um monstro tenebroso que virá em umas 4 fases diferentes, resistindo a quase que todo tipo de magia de efeito. Só que nesta etapa seu herói e seu grupo já estará no level 99 com todas as armas possíveis, tendo desvendado todas as malditas side quests e o mestrão vai acabar se mostrando um babão.

O gran finale então chega . Para fechar com chave de ouro, o herói salva o mundo e, com sorte, o universo, livrando do mal várias raças que no futuro invadirão a Terra. Todo mundo se casa e vive feliz para sempre, menos o herói, é claro, que aguarda uma seqüência do game para que sua vida volte a ter alguma graça.

Fim.

fonte: RPG-A (site extinto)
autor: Majin_Alucard
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Re: O Herói de RPG

Mensagem por Yagami Shinji em Qui Jul 30, 2009 1:44 am

Muito bom!
Mas é verdade, praticamente todos os RPGs são assim.
Vide os Final Fantasys da vida.
Sempre a mesma história e a mesma merda de final.

Ainda acho que Legend of Mana foi o melhor RPG que eu joguei na vida.
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Re: O Herói de RPG

Mensagem por Sean em Qui Jul 30, 2009 3:11 pm

Muito bom msm...

Como disse Yagami todos os finais acabam iguais...

porém na minha opnião o melhor RPG de todos foi Chrono Trigger ^^
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Re: O Herói de RPG

Mensagem por HENRI em Qui Jul 30, 2009 9:39 pm

Num tenho oque descordar, sempre foi e sempre será assim!
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Re: O Herói de RPG

Mensagem por Padas em Qui Jul 30, 2009 10:03 pm

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Re: O Herói de RPG

Mensagem por Estopa em Sex Jul 31, 2009 5:34 pm

Na maioriga dos jogos (ou melhor 98%) seguem isso. Hoje em dia até jogo de corrida tem uma história U.u
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Re: O Herói de RPG

Mensagem por Hiver em Sex Jul 31, 2009 9:33 pm

Eu ri horrores disso XD

Mas FFVIII inovou, rola um selinho no ultimo segundo da ending XD

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Re: O Herói de RPG

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